Texto de Natalia Pineiro Bressan Dutra*
Quando eu estava em um grupo de estudos com a terapeuta artística Silvia Mendes Correa, ela falava sobre a cor da flor de pessegueiro, apontada por Steiner como um cor colo de mãe, que acolhe, traz calor, segurança, e por isso está nas paredes das salas do Jardim Waldorf, eu nunca tinha ouvido falar sobre essa relação do ambiente escolar com essa dimensão mais ampliada da formação do Humano, mesmo estando em escola atuando com educação de arte desde 2008. Percorri um longo percurso, encontrando muitas coisas interessantes, que fazem parte de mim, mas encontrar a Pedagogia Waldorf e a Antroposofia de maneira geral fez com que minha vida mudasse completamente e incorporou um tecido muito mais harmônico para tantas linhas de interesse que sempre tive. Conectou realmente meus interesses e práticas na vida e também na vida pedagógica, porque com esse alicerce nada mais se separa, tudo se retroalimenta.
Arte, Educação, Natureza, Espiritualidade, Experiência, Filosofia, Psicologia, Pesquisa, Cuidar. Esses eram os pontos focais de minha vida, e que com a descoberta da Antroposofia, todos esses pontos se uniram em uma ciranda coerente. Não dá pra aprofundar todos esses pontos tanto quanto eu gostaria, mas dá pra dançar nessa ciranda.

Essa mudinha de Pêssego foi plantada por meu marido e filha e agora floriu seu primeiro broto.
Essa foto acima foi tirada no terreno da minha casa neste domingo, em um momento de muita emoção. Essa mudinha de Pêssego foi plantada por meu marido e filha e agora floriu seu primeiro broto. De todas as mudas que plantamos na casa nova essa é a primeira a florir e achei bastante sincrôncio e simbólico que isso tivesse acontecido nesta semana, estudando nesta pós-graduação.
Devorei os conteúdos mais teóricos enquanto as mãos trabalhavam nas práticas, e contagiando as minhas filhas, e a minha mãe que nos visitou domingo. Minha mãe é tricoteira de mão cheia, mas não soube me ensinar. Ela me viu fazendo e disse que também queria tricotar. Três gerações de mulheres tricotando na minha sala. Uma pena que estávamos tão imersos na vivência que não tiramos fotos. Mas conversamos sobre essa delícia e sobre nossas diferenças. Ela tricota no estilo Português, em volta do pescoço, tendo o polegar como uma maquininha de laçar fio. É muito rápida e seu ponto é impecável. Eu tricoto no estilo Germânico e meus pontos ainda estão longe de seu primor, mas os amo.

Atividades da Pós-Graduação Currículo dos Trabalhos Manuais na Educação Steineriana.
Laura, minha mais velha de 10 anos tricota como uma maquininha também, e não sossega enquanto não vê o trabalho pronto. E neste final de semana tive a alegria de começar a ensinar o tricô com agulhas para minha filha do meio, a Flora, que fez 7 anos há pouco. Ela ficou muito encantada!
Meu pai empinou pipa no quintal, estávamos a semana inteira nessa prática porque o vento ventou bastante por aqui nesses tempos. Ele parecia um menino e quando sentou, depois de um tempo, ele disse "vocês estão muito bem aqui".
Sim estamos. Porque damos espaço para a vida ser e somos com ela.

Atividades da Pós-Graduação Currículo dos Trabalhos Manuais na Educação Steineriana.
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*Natalia Pineiro Bressan Dutra é discente da Pós-Graduação Currículo dos Trabalhos Manuais na Educação Steineriana.
Diz ela:
"Amo as artes na vida como ação prática e de resistência sútil desde meus primeiros lampejos de consciência. Já na adolescência convidava a todos a me acompanhar nessa aventura. Tornei-me professora de artes por esse impulso genuíno do contágio para o belo. Depois de mãe me encontrei com a natureza mais profundamente e com a antroposofia. E então tudo se conectou. Sigo sendo professora de trabalhos manuais em escola Waldorf, me encantando diariamente com tudo o que há".
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