*Texto de Julia Stéfany de Jesus Vilas Boas.
Ao iniciar o processo de elaboração do portfólio, percebi que, ao longo do percurso, acabei me envolvendo mais intensamente com as atividades práticas do que com as atividades teóricas e as aulas online. Esse movimento aconteceu de forma quase natural, pois reconheço em mim uma maior facilidade e afinidade com ações concretas, manuais e experienciadas no fazer.
Nesse sentido, ao longo do processo, desenvolvi algumas atividades manuais que dialogavam com as propostas do curso, retomando práticas, saberes e até receitas que eu já conhecia previamente. Essas escolhas partiram do entendimento de que o aprendizado também se constrói a partir do que já sabemos e dominamos, permitindo aprofundar, ressignificar e ampliar esses conhecimentos por meio da prática.
Assim, o fazer manual tornou-se uma estratégia de aproximação com os conteúdos trabalhados, funcionando como um caminho de engajamento, reflexão e expressão do aprendizado, ainda que, em alguns momentos, isso tenha significado um distanciamento maior das atividades teóricas formais.

Esse contato com a lã de melhor qualidade, com o feltro e com a lã de ovelha foi profundamente significativo para mim, e se tornou possível a partir das aulas do primeiro módulo. O manuseio desses materiais despertou não apenas um interesse técnico, mas também uma sensibilidade maior para o fazer manual como espaço de cuidado, presença e escuta de mim mesma.
Como diz Noeli Ortega, no livro A todos aqueles que movimentam as suas mãos, realizando com amor, desde o momento em que acordamos até o último instante consciente do dia realizamos movimentos complexos com as mãos. É por meio delas que pegamos objetos, tocamos superfícies, abrimos e fechamos potes, pinçamos, espalhamos cremes, cortamos, cozinhamos e, sobretudo, percebemos e nos relacionamos com o mundo ao nosso redor. Ao longo desse processo, passei a reconhecer com mais atenção o quanto minhas mãos são também um canal de expressão, organização interna e presença.
Reconheço que demorei para iniciar a escrita do portfólio e que enfrentei dificuldades em alinhar o acompanhamento das aulas com o registro das minhas impressões e vivências. Muitas vezes, o fazer veio antes da palavra escrita, e eu precisei respeitar esse ritmo próprio para, só depois, conseguir elaborar em texto aquilo que foi vivido no corpo e nas mãos.
A partir de agora, me coloco o compromisso de buscar uma maior integração entre assistir às aulas, vivenciar as propostas e registrar minhas reflexões, entendendo o portfólio não apenas como uma exigência avaliativa, mas como um espaço de memória, elaboração e aprofundamento do meu próprio processo de aprendizagem e autoconhecimento.

*Julia Stéfany de Jesus Vilas Boas
É discente da PósGraduação Currículo dos Trabalhos Manuais na Educação Steineriana.
Diz ela: "Olá, me chamo Julia Vilas Boas nasci em uma comunidade tradicional e pesqueira localizada em Graciosa/Taperoá - Bahia. Atualmente moro em Salvador, cursei licenciatura em geografia, me vínculo e me volto olhar carinho para a educação, conhecendo pedagogias diferentes bem como a parte física e sistêmica dessa área de conhecimento. Dentre as minhas andanças me volto aos movimentos sociais das comunidades tradicionais por se conectarem com o meu olhar de origem".
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